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Uma vida é pouco pra te amar

Em sábado, 27 junho de 2020

Eu poderia definir o personagem dessa história como o Pai da Desportiva e, na minha opinião, não seria nenhum exagero. O amor, carinho e dedicação eram paternos.

Aylton Farias era o “manda-chuva” do Ferroviário Sport Clube, uma das equipes que participaram da fusão a qual deu origem à Desportiva Ferroviária. Neste processo de fundação, Aylton participou ativamente na companhia de seu amigo Lino Santos Gomes.

Na Desportiva, iniciou como Diretor de Futebol, conquistando, já no primeiro ano, o título estadual de 1964, o inaugural da história grená. Tinha um tirocínio apurado para craques. 

Exemplo disso foi a viagem realizada até Uberlândia, a bordo de um “Ford Rural”, com a intenção de contratar o zagueiro Zé Borges, da equipe local. Porém, durante um treinamento, teve sua atenção atraída para um outro jogador, de cabelos longos e barba farta, onde enxergou um talento em potencial. Aylton não teve dúvidas e, naquela viagem, quem retornou no banco do passageiro foi o futuro ídolo, o xerife Edmar, que defendeu as cores grená por uma década.

Em outra oportunidade, dessa vez na direção do seu Fusca, branco e charmoso, viajou até o distante distrito de Itaoca, no município de Cachoeiro de Itapemirim, onde descobriu Humberto Monteiro, outro célebre jogador que, anos depois, conquistaria o título brasileiro de 71, pelo Atlético de Minas.

E a lista de craques não pára por aí. Também participou das vindas de lendas como Elci, Juci, Maurélio e, até mesmo, do icônico Fio Maravilha, dentre outros.

Além do futebol, Aylton Farias transitou por todos os cargos de diretoria em duas décadas de dedicação ao clube. Em seus último anos, já com a saúde debilitada, ocupou o cargo de diretor jurídico. 

De fato, um grande craque fora dos gramados, amante singular da Desportiva e um personagem merecedor de todo respeito e reverência do torcedor grená.

E quem achava que a notável história de Aylton Farias terminaria ali, enganou-se. 

Não bastasse todo o empenho de uma vida dedicada a Desportiva, ainda cultivou em seu filho Carlinhos o amor desmedido que sentia pelo clube. E hoje, Carlos Farias, o Carlinhos do Seu Aylton, conduzido por este sentimento, não mede esforços para resgatar e dar sequência a obra que foi construída pelo seu saudoso pai. 

E nós sabemos que não há nada maior do que a paixão de pai para filho, e de filho para pai, para servir de motivação e trazer a Locomotiva de volta aos trilhos. 

Obrigado, Seu Aylton, por ontem, hoje e sempre.

A Associação Desportiva Ferroviária lhe é profundamente grata.

Breno Carlini