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A fusão

A Associação Desportiva Ferroviária foi fundada em 17 de junho de 1963, no Bairro Jardim América, em Cariacica, após a fusão de cinco equipes formadas por trabalhadores ferroviários da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). A fusão foi proposta pela antiga Companhia, visando concentrar o investimento financeiro em apenas uma equipe de futebol. Para incentivar a união, a companhia prometeu – e depois cumpriu – construir um estádio e doá-lo ao novo clube. Assim, surgiu o Estádio Engenheiro Alencar Araripe em 1966, em Jardim América, então com capacidade para 36 mil torcedores.

Então participaram da fusão as seguintes equipes:

  1. Associação Atlética Vale, fundada em 1º de julho de 1943.
  2. Ferroviário Sport Club, fundado em 10 de agosto de 1945.
  3. Esporte Clube Guarany, fundado em 1º de novembro do ano de 1951.
  4. Associação Atlética Cauê, fundado em 11 de agosto de 1957.
  5. Associação Esportiva Vale do Rio Doce, fundado em 1º de janeiro de 1959 (ficou, popularmente, conhecida como Valério).
  6. Cruzeiro Esporte Clube, clube amador da época, também participou da fusão, mesmo não tendo representante escolhido para o conselho.
Respectivos escudos das equipes que participaram da fusão.

Com isso, o novo conselho foi distribuído da seguinte maneira:
Ferroviário com 14 vagas, Vale com 5 vagas, Cauê com 3 vagas, Guarany com 2 vagas e Valério com 1 vaga.

Ferroviário Sport Club campeão do Torneio Início de 1960.

O clube já nasceu com aurea de grandeza e, desde a fundação, o time canarinho já era uma potência estadual. Sim, canarinho, pois A. A. Vale (de cores vermelha, preto e branco) e o Ferroviário S. C. (de cores preto e amarelo) - que eram as equipes de maior rivalidade antes da fusão - discordavam das cores propostas inicialmente.

Equipe da A.A. Cauê, no Estádio Manoel Araujo de Oliveira, em Aribiri, Vila Velha.

A equipe só se tornou grená em 1965, na disputa da Taça Brasil - sua primeira competição nacional - pois, a época, não era permitido o uso de uniformes em competições nacionais com as cores similiares ao da Seleção Brasileira. Desta forma, inspirada nas cores das locomotivas que faziam a viajem Vitória-Minas, o clube adotou a cor grená.

Equipe da Locomotiva com o uniforme canarinho, no terreno onde viria a ser fundado o estádio Engenheiro Araripe.

Outro fato interessante, nesta Taça Brasil, é que a Desportiva encarou o Eletrovapo-RJ e, após 3 empates, o jogo foi decidido de forma peculiar. Como o regulamento não previa nenhum critério de desempate, a vaga, na fase seguinte, foi decidida na moeda. E, naquele dia, no Estádio Governador Bley, Alcione, capitão grená, optou pelo lado Cara da moeda. Essa foi, sem dúvidas, uma das melhores escolhas de sua vida! A Desportiva avançava de fase e vencia a primeira disputa de Cara ou Coroa do Brasil.

Década de 60

Primeiro time da Desportiva, em julho de 1963.

Em 1964, a Tiva já tem sua primeira grande conquista: o Campeonato Capixaba! O time batido na final foi o A.C. Rio Branco. O título teve um jogo épico de desempate no returno. Após empate em 1x1 no tempo normal, a partida foi para a prorrogação.

Naquele tempo eram disputados dois tempos de 15 minutos cada. Porém, se uma das equipe terminasse a primeira metade com vantagem no placar, já era declarada como vitoriosa, sem a necessidade de disputar a segunda metade. E, aos 12 minutos, o Rio Branco abriu o placar. O que eles não contavam era que Simonassi empataria no último lance, impedindo a desclassificação prematura.

Com o placar mantendo-se inerte no segundo tempo da prorrogação, a disputa foi para os penaltis. Aí surge outra curiosidade: À época as decisões penais já iniciavam de forma alternada, onde a falha na cobrança de um jogador, somado ao sucesso na cobrança do seu oponente, ja indicava o vencedor. Diferente do modelo atual, de cinco cobranças por equipe.

E a Tiva acabou vencendo por 2x1. O goleiro Juca foi o herói improvável, afinal, era o reserva do grande Adjalma, que saiu lesionado. Ele defendeu duas cobranças e Arino converteu outras duas, levando a equipe para a final do torneio contra o mesmo rival.

Na final, o título veio com sobras. Depois de dois triunfos - 3x1 na primeira partida e 3x2 na segunda - a Locomotiva vestiu a faixa de melhor equipe do estado na temporada de 1964.

Em 1965 veio seu primeiro bi-campeonato. De quebra, o primeiro título invicto da equipe que, em 10 partidas, venceu 8 e empatou 2, marcando 29 gols. O estadual era referente ao ano de 1965, mas acabou sendo disputado em 1966. Azar dos adversários que conheceram o calor do caldeirão do recem fundado Estádio Engenheiro Alencar de Araripe.

Equipe da Locomotiva, bicampeã em 1965.

Inaugurado em janeiro de 1966, o estádio foi o atrativo principal para a fundação da Desportiva. Pois, para motivar a fusão, a CVRD prometeu empenhar-se na construção de um estádio para a equipe dos ferroviários.

Em 1966 outra conquista invicta. Dessa vez a conquista foi da Taça Cidade de Vitória, onde, em 16 partidas, a equipe conquistou 12 vitórias. Um grande detalhe: 8 delas em cima dos rivais. Só o Vitória conseguiu não ser goleado, mas, mesmo assim, perdeu as duas partidas disputadas. Sobrou até para o Rio Branco que levou de 3x0. Sendo a primeira goleada do maior clássico do estado registrada.

Elenco bicampeão Capixaba, em 64 e 65, e da Taça da Cidade, em 66.

Em 1967 a Tiva ganha o Brasil e fica incríveis 51 partidas consecutivas sem derrotas. Entre 04 de março de 1967 a 03 de fevereiro de 1968 a Tiva ficou 343 dias sem perder. Neste período equipes como Rio Branco, Vitória, Botafogo/RJ, Atlético/MG, Bom sucesso/RJ, Democrata de Governador Valadares/MG, São Cristóvão/RJ e até a Seleção Carioca tentaram, e não conseguiram, parar a Locomotiva Grená.

Apresentação do técnico Paulo Emilio, na antiga "Concentração", em 1967.

Para muitos aquele é o maior time da história do clube. Dirigido por Paulo Emílio Frossard Jorge, a Desportiva contava com craques como Edalmo, Alcione, Humberto Monteiro, Simonassi, Bezerra, Noquinha, Arino, Fraga, Silvinho e Moreira. A série invicta coroou-se com o tricampeonato estadual. Em 12 partidas foram 9 vitórias e 3 empates, com 26 gols marcados.

Em 1968 seguia a rotina de conquistas da Tiva com o bicampeonato da Taça Cidade de Vitória.

Ilustração publicada no "Jornal do Janc", em 1968.

Em 21 de novembro de 1969, no estádio Engenheiro Araripe, aconteceu a primeira partida internacional da Locomotiva Grená. A Desportiva encarou a Seleção de Gana, que era uma grande potência na África, vindo de dois títulos e dois vices no Campeonato Africano de Nações (correspondente a Copa América Africana), e que ficou próxima de jogar a Copa do Mundo de 1970. Mas o time africando não foi páreo e a Tiva venceu a partida por 2 a 1.

Década de 70

O início da década de 70 é marcada pelos primeiros jogos contra times (excluindo Seleções) de fora do Brasil. Em 7 de fevereiro de 1971, a Desportiva enfrentou o PFC CSKA Sófia, então campeão da Bulgária, no Engenheiro Araripe e venceu por 1 a 0. O gol foi marcado por Nilo.

Jornal Correio da Manhã (RJ), em 1971.

No mesmo ano, em 2 de agosto, a Tiva voltou a enfrentar um clube estrangeiro. O adversário foi o Club Libertad, do Paraguai. Desta vez, não obtivemos êxito e fomos derrotados por 2 a 0, dentro do Monumental.

Capitão grená Roberto Almeida (esq.), em partida contra o Libertad, do Paragui, em 1971.

Porém, acostumado a ver a equipe levantar troféus a todo momento, o torcedor grená amargou um pequeno jejum de 3 anos. Isso porque em 1971, o Rio Branco venceu, no tapetão, a disputa do Estadual. Naquela competição foram 5 partidas disputadas, sendo que a Desportiva venceu três, perdeu uma empatou outra. Os jornais da época fora unânimes em taxar como o campeonato mais obscuro da história do estado.

Até que em 1972 veio mais um título estadual. Este foi pra lavar a alma do torcedor.

Equipe campeã do Campeonato Capixaba de 1972.

Em 1973, graças ao título estadual, a Desportiva disputa seu primeiro Campeonato Brasileiro. A estréia não poderia ser melhor. Em 25 de agosto de 1973, Zezinho Bugre marcava duas vezes e a Desportiva derrotava o Sergipe/SE por 2x0, no Estádio Engenheiro Araripe, conquistando sua primeira vitória na competição.

Uma das formações da equipe no ano de 1973.

Na rodada seguinte, com Zezinho Bugre sendo novamente destaque, a Tiva derrotava o Atlético/MG e dividia a liderança do Brasileiro com o Palmeiras/SP, como os únicos 100% da competição. Ainda contava com Zezinho como artilheiro da competição. Era um cartão de visita inesquecível.

Zezinho Bugre (esq.) em ação contra o Atlético-MG, em 1973.

Em janeiro de 1974, no Engenheiro Araripe, a Desportiva teve mais um desafio internacional. O adversário desta fez foram os africanos do Young Africans Sports Club, também conhecidos como Yangas, que eram os atuais campeões da Tanzânia. O placar foi 3 a 0 para a Tiva.

Súmula da partida entre Desportiva 3 x 0 Young Africans Sports Club.

Em 1975 não teve título, mas teve o maior massacre em partidas oficiais da Tiva: impiedosos 11x0 sobre o São Silvano de Colatina, em 29 de junho, no Araripe. Embaixo de muita chuva, a partida contou com gol legal mal anulado e pênalti não assinalado para a Locomotiva.

Um dos 11 gols contra a equipe do São Silvano, em 1975.

Antes disso a maior goleada havia sido aplicada em outra equipe colatinense. Em 12 de maio a Tiva vencia por 10x1 o Vila Nova, na campanha do primeiro título estadual.

Em 17 de março de 1976, a Locomotiva grená conquistou mais um feito. Venceu a equipe do Fluminense, que a época era chamado de "Máquina Tricolor". A vitória histórica também marcou a despedida do zagueiro Elci da carreira de jogador.

Em pé: Gil, Augusto, Edmar, Elci, Carlinhos e Celso Alonso. Agachados: Orlando, Valmir, Zezinho Bugre, Sérgio Alonso e Paulinho.

Em 1977 a Tiva levantou a Taça Jones dos Santos Neves, que foi disputada por 6 equipes, terminando com o Rio Branco, mais uma vez, vice.

Goleiro adversário após sofrer o gol que deu o título a Desportiva, em 1977.

Na década de 70 ainda vieram mais 3 estaduais, de 1974, 1977 e 1979. Este último marcava o começo de 3 anos de domínio total da Desportiva no Espírito Santo. A Locomotiva chegaria ao inédito tricampeonato consecutivo, conquistando a taça em 1979, 1980 e 1981.

Desportiva Ferroviária x Operário-PR, pelo Brasileirão 1979.

Década de 80

Os anos 80 vieram embalados com 5 títulos estaduais para a Desportiva: 1980, 1981, 1984, 1986 e 1989.

Equipe invade o campo em comemoração ao título capixaba de 1980!

Em 1981 a Tiva, também, goleou o Rio Branco por 4x1 com show do jovem Geovani Silva, que já despertava interesse em equipe do Brasil e do exterior.

Geovani Silva, o "menino de ouro", em ação pela Tiva nos anos 80.

Com o título de 1981, a Desportiva entrava para a história, conquistando seu primeiro tricampeonato consecutivo.

Time da Desportiva campeão do Campeonato Capixaba de 1981.

No mesmo ano, o clube fez sua primeira viajem internacional. Dirigido por Yustrish, representou o Brasil na Ásia - jogando na Coréia do Sul, Qatar e Tailândia - conquistando ótimos resultados, como os 3x0 aplicados na Seleção do Qatar, treinada pelo brasileiro Evaristo de Macedo.

Delegações da Desportiva e Pohang Steelers (ainda se chamava Posco Football Club), da Coréia do Sul.

Na passagem pela Coréia, a Desportiva contribuiu muito com o futebol local, disseminando todo o seu conhecimento teórico e prático aos asiáticos. Os coreanos fizeram um verdadeiro interrogatório aos dirigentes grenás. Tanto que, em 1985, o Pohang Steelers, da Coréia do Sul, veio até o Espírito Santo para mais um amistoso contra a Tiva.

Em 1984, mais um título da Desportiva, dessa vez, em cima da equipe do Vitória.

Elenco de 1984, que contava com Marcelo Oliveira, bicampeão brasileiro pelo Cruzeiro.

Em 1986, o título teve um gostinho especial. Taxado de aposentado pelo presidente do rival, Enéas encarou a sua equipe e anotou 3 gols. Desportiva 3x0 no Rio Branco. Foi dele novamente o pé que balançou a rede no jogo do título, contra o mesmo Rio Branco, do presidente falador.

Enéias marca o gol que deu o 12º título estadual a Desportiva.

Em 1988 a Desportiva levantou outro título inédito: a Taça Grande Vitória. Com clássicos contra Vitória, Santo Antônio e Rio Branco, o título, para variar, foi conquistado com a presença especial do maior rival.

Em 1989, fechando a década, o título que credenciou a sua primeira participação na Copa do Brasil em 1990.

Matéria na revista Placar, com o time campeão do estadual de 1989.

Década de 90

Veio a década de 90 e a Desportiva travava embates sensacionais na Série B do Campeonato Brasileiro. Era nome certo nas fases decisivas. Também levantou o título de campeã estadual em 1992, 1994 e 1996.

Em 1990, no empate em 1x1 contra o Botafogo/RJ, Chiquinho marcou primeiro gol capixaba na competição. Na partida de volta, no Rio de Janeiro, por um detalhe a Desportiva não avança. A equipe capixaba acertou a trave alvinegra no fim da partida, quando o placar marcava 2x1 para os adversários e o ponteiro já passava dos 45 minutos.

Partida contra o Botafogo, pela Copa do Brasile de 1990.

Em 1992 o título veio repleto de craques, entre eles Andrade e Washington. A Tiva veio empolgada pelo acesso a Série A do Campeonato Brasileiro. Em 18 partidas, na 1ª fase, a Desportiva venceu 12, conquistando a classificação de forma antecipada. Na 2ª fase a Tiva seguiu soberana. Nas 6 partidas seguintes foram 5 vitórias e 1 empate, aplicando 3x0 na final, diante de um Araripe lotado, fechando um dos títulos mais merecidos do clube.

Seleção grená de 1992.

Em 93 vem a última participação grená - e capixaba - na elite do futebol brasileiro. Ninguém imaginaria que naquele 27 de outubro de 1993, no empate em 0x0 com América, em Minas Gerais, seria a última de um clube capixaba na 1ª divisão nacional.

Desportiva x Portuguesa, pelo Brasileirão 1993. Última participação grená nesta competição.

Em 1994 a vaga na Série A foi decidida contra o Goiás e, infelizmente, os goianos avançaram. Muita obscuridade paira sobre aquela decisão.

Goias x Desportiva, pelo Brasileirão série B de 1994.

Em 1996, enfim, os confrontos que todos queriam ver: Desportiva e Linhares, que dominaram esta década no estado, finalmente se enfrentaram valendo título. Dessa vez foi a Desportiva quem comemorou.

Elenco grená campeão capixaba de 1996.

Descarrilamento S/A

No fim da década de 90 veio a privatização da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Com o corte de investimentos no futebol pela Companhia, a Desportiva entrou em uma dificuldade financeira muito grande. O clube se mantinha apenas com o dinheiro das vendas de suas revelações. Vários atletas eram negociados precocemente. Alguns sem nem ao menos estrearem no time profissional.

O ano de 1999 marca a transformação da Desportiva em clube empresa, sendo um dos primeiros do país. O clube torna-se, então, Desportiva Capixaba S/A.

Em 2000, a Desportiva conquista mais um título estadual, enchendo a torcida de esperanças.

Time posa para foto na terceira partida final do Capixabão de 2000.

Mas a parceria se mostra um equívoco com o passar do tempo. A crise financeira retorna ainda pior, o time acumula péssimas participações nas competiçoes, tanto nos Brasileiros, quanto nos estaduais.

Elenco de 2008, que revelou o atacante Kieza.

Neste fatídico período, o clube mudou de nome, escudo e até de cores. Pôde comemorar, além do estadual de 2000, a Série B de 2007 e a Copa Espírito Santo de 2008. Este último com casa cheia, contra o maior rival, revivendo os anos de ouro do futebol capixaba.

Ferroviária, o retorno

Em 2011, a Desportiva, finalmente, retorna a suas raízes para alegria de sua torcida, que clamava o fim da parceria, e volta a se chamar Desportiva Ferroviária.

Desportiva em campo pela Copa ES de 2011.

Em 2012, no primeiro semestre, a Desportiva conquista o título da Série B do Capixaba e, consequentemente, o acesso à elite estadual.

Desportiva campeã da Copa ES 2012.

No segundo semestre vem o bicampeonato da Copa Espírito Santo, novamente diante do Rio Branco, o rival que mais viu a Tiva levantar taças Foram mais de 15 troféus levantados em confrontos contra o Rio Branco.

Em 2013, em seu retorno a Série A, em pleno Cinquentenário, a Desportiva conquista mais uma vez o Campeonato Capixaba. Para coroar ainda mais o seu retorno, contribui diretamente para o rebaixamento do seu maior rival, em pleno ano de seu centenário, ao derrota-los nas duas partidas do estadual.

Léo Oliveira, Carlos Vitor e David comemoram.

Em 2016, a Desportiva, mais uma vez, sagra-se campeã do Espírito Santo. Diante de um Araripe tomado pela massa grená, conquista o seu 18º título estadual. Decisão em que a torcida foi o 12º jogador e, até, o 11º quando a equipe já jogava com 1 a menos.

Monumental lotado na final do estadual de 2016.

A história da Associação Desportiva Ferroviaria continua sendo escrita e muitas páginas vitoriosas ainda comporão o nosso livro de glórias.


Contribuição:
- Leandro Vieira Carlini;
- Livro: "Os trilhos da história: Memórias da Desportiva Ferroviária", de Bruno Marques.